Drogas e Saúde Pública

Autoria: Ádila K. Pereira da Silva e Ígor Moreira Freitas.


Nos últimos anos, a sociedade brasileira – seguindo uma discussão que vem ganhando força em outros países – mudou o foco do debate sobre a questão das drogas. Historicamente encarado como um problema de segurança e repressão policial, passou a ser visto também como um problema de saúde pública. Um dos reforços para essa mudança de postura foi a criação da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), liderada pelo presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, e que se inspirou na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, fundada pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil), César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México) e que foi composta por 17 personalidades dos países da região. A CBDD é constituída por 26 personalidades de diversos setores da sociedade e que se propõem a refletir sobre a política de drogas no país. É objetivo da comissão ouvir especialistas de áreas relacionadas ao tema e transmitir suas conclusões ao Governo, ao Congresso Nacional e à opinião pública. A CBBD tem por finalidade buscar políticas e práticas que sejam mais humanas e eficazes no enfrentamento deste grave problema.

Drogas e Saúde mental


O estigma em torno da saúde mental está se desfazendo rapidamente, à medida que mais e mais pessoas estão falando sobre questões da saúde mental e como isso afeta nossas vidas cotidianas. Ninguém é imune a problemas com sua saúde mental, e há fatores internos e externos que podem afetá-lo.

Para aqueles indivíduos que ingerem drogas ou álcool de forma consistente, essas substâncias podem fazer uma enorme diferença na sua saúde mental. É útil saber como e por que isso acontece, para que os indivíduos possam ter mais informações para tomar decisões que afetarão seu bem-estar.

O estado de saúde mental de cada pessoa é único para elas. Da mesma forma, cada pessoa terá uma relação diferente com as substâncias. A área de drogas e saúde mental é complexa. Algumas pessoas podem estar mais em risco de experimentar efeitos negativos para a saúde mental do que outras.

O que não causa nenhum efeito para uma pessoa pode causar um efeito negativo para outra. Mesmo quando a mesma pessoa toma a mesma droga em diferentes ocasiões, os efeitos podem ser diferentes. Lembre-se, o que é trabalho para outra pessoa pode não ser a escolha certa para você e sua saúde mental.

Questão levantada pela Defensoria Pública é que o artigo 28 da Lei 11.343 — que caracteriza como crime o porte de drogas, mesmo para uso pessoal — seria incompatível com os princípios de intimidade e vida privada determinados pela Constituição.


O uso de drogas ilícitas deve ser entendido como um problema de saúde e e também social que requer prevenção, tratamento e cuidados continuados. Esta é uma das principais conclusões que emergem do Relatório Mundial de Drogas de 2015, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), um dos co-professores do UNAIDS, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS.

Um número estimado de 1,65 milhão de pessoas que usam drogas injetáveis viviam com HIV em 2013, cerca de 13,5% destes usuários. Apesar de o número de mulheres que usam drogas injetáveis ser menor, elas têm mais probabilidade de serem infectadas do que os homens.

Em um capítulo específico sobre HIV, um problema importante é destacado sobre o acesso à terapia antirretroviral e aos programas de redução de danos entre usuários de drogas injetáveis: apenas um em cada seis de todos os usuários – que sofrem de transtornos pelo uso de drogas ou que têm dependência de drogas – se beneficiam desses programas, incluindo programas de agulhas e seringas e terapia de substituição de opiáceos.

As pessoas que usam drogas injetáveis representam cerca de 30% das novas infecções pelo HIV fora da África sub-saariana. Duas sub-regiões têm taxas notavelmente altas de infecção por HIV entre pessoas que usam drogas injetáveis: um número estimado de 29% no sudoeste da Ásia e cerca de 23% no Leste e Sudeste Europeu – uma região, com aproximadamente 40% do número global de usuários vivendo com o HIV, que residem principalmente na Rússia e na Ucrânia.

A utilização da Cannabis medicinal tem despertado um interesse crescente nos últimos anos devido aos seus potenciais benefícios terapêuticos. Com base em evidências científicas, essa planta milenar tem mostrado eficácia no tratamento de diversas condições médicas

O uso da Cannabis medicinal é vasto e abrange uma variedade de condições de saúde. A substância química responsável por esses efeitos é o canabidiol (CBD), um dos compostos encontrados na planta

Os últimos apontam que o CBD tem propriedades anestésicas anti-inflamatórias, neuroprotetoras e anticonvulsivantes

Doenças que podem ser tratadas com o CBD:

• Autismo (THC+CDB) - Controle da ansiedade e agitação, reduzindo a hiperatividade e beneficiando o controle do sono

• Câncer (CDB, podendo ser associado ao THC) - A cannabis medicinal não trata a doença em si, mas pode ser usada no tratamento de náuseas e vômitos causados ​​por quimioterapia e radioterapia, melhorando a qualidade de vida do paciente

• Demências como Alzheimer (CDB) - Redução da gliose reativa e da resposta neuro inflamatória, com indícios sobre os impactos no desenvolvimento de déficits cognitivos

• Dor crônica (CDB) - Os efeitos analgésicos auxiliam na redução de dores crônica, incluindo dor neuropática, dor devido a lesões na medula espinhal, artrite, dores musculares e até mesmo em síndromes dolorosas causadas pela endometriose

Como todos sabemos a Cracolândia é um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, já que lá se concentram um grande número de usuários de drogas trazendo consigo várias doenças e impulsionada pela má higiene do local

O Levantamento semanal feito pela Secretaria da Segurança Pública apontou que 1.106 pessoas frequentam, em média, a cracolândia por dia, com pico de 1.286 pessoas por dia.

A vacina contra a dependência de cocaína pode se tornar realidade. Um grupo de pesquisadores brasileiros está desenvolvendo o imunizante. Os testes da fase pré-clínica, com ratos e primatas não humanos, foram positivos. A vacina, desenvolvida na UFMG, usa o sistema imunológico do paciente para neutralizar os efeitos da droga e reduzir a dependência química. Veja nesta entrevista com o professor Frederico Garcia, responsável pelo desenvolvimento da vacina, como o medicamento pode livrar pessoas do vício.